A Câmara Municipal de Sinop cobrou transparência, ampliação da capacidade de atendimento e mais abertura de diálogo na gestão do Hospital Regional de Sinop durante agenda realizada nesta terça-feira (9) com deputados da Comissão Permanente de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A visita dos parlamentares estaduais foi solicitada formalmente pela Câmara e incluiu reunião na sede do Legislativo municipal e fiscalização in loco na unidade hospitalar, que passou recentemente a ser administrada pelo Consórcio Regional formado por 16 municípios do médio norte mato-grossense.
Na visita ao hospital, vereadores e deputados ouviram da nova direção que a unidade tem atualmente cerca de 100 leitos disponíveis, embora a capacidade total seja de 150. Considerando o total da estrutura, o funcionamento corresponde a aproximadamente 67% dos leitos, com ocupação real próxima de 53% da capacidade total. A equipe também admitiu déficit de 45 profissionais de enfermagem, leitos fechados por reforma, problemas estruturais e necessidade de contratação emergencial para suprir falta de camas, colchões e equipamentos.
A situação reforçou parte das cobranças apresentadas pelos vereadores durante a reunião na Câmara. Os parlamentares relataram que a população cobra respostas sobre demora na regulação, falta de leitos e dificuldade de acesso ao Hospital Regional, enquanto pacientes permanecem internados nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) à espera de transferência. O hospital é referência de média e alta complexidade e atende de porta fechada, ou seja, recebe pacientes regulados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), que continua responsável pela regulação mesmo após a transferência da administração para o Consórcio.
O presidente da Câmara, Moisés do Jardim do Ouro, afirmou que a principal cobrança do Legislativo é pela abertura de informações oficiais sobre a gestão do hospital. Segundo ele, antes da chegada do Consórcio, os vereadores não conseguiam dados consistentes nem autorização para visitas técnicas à unidade.
“Os vereadores são cobrados todos os dias pela população, mas não tinham acesso às informações necessárias para acompanhar a situação do Hospital Regional. A Câmara solicitou a presença da Comissão de Saúde justamente para abrir esse diálogo, buscar transparência e garantir que Sinop e os municípios da região tenham respostas concretas”, afirmou Moisés.
Durante a reunião, os vereadores também disseram não ter clareza sobre os critérios de regulação dos pacientes. Com base em informações extraoficiais, relataram que o hospital estaria funcionando abaixo da capacidade enquanto cerca de 80 pacientes aguardariam regulação nas UPAs de Sinop. Também foram mencionadas denúncias de falta de servidores no quadro da unidade, o que foi confirmado pelo Consórcio.
O secretário municipal de Saúde de Sinop, Erico Stevan, cobrou a abertura de mais leitos e vagas para atender a demanda do município e da região. O vice-prefeito Paulinho Abreu também participou da reunião e representou o Executivo sinopense ao lado do secretário.
O Hospital Regional de Sinop foi construído pelo Município no início dos anos 2000 e repassado para a administração estadual. Após reclamações recorrentes sobre o funcionamento da unidade, o Governo do Estado transferiu a gestão para o Consórcio Regional. Segundo o presidente da Câmara, a expectativa inicial era de que o contrato fosse de aproximadamente R$ 10 milhões por mês, com repasses ao longo dos próximos três anos. Na visita técnica, a equipe do Consórcio informou que o valor mensal previsto é de R$ 8,9 milhões, mas não soube informar se o valor aumentará quando outros leitos estiverem disponíveis.
No hospital, o presidente do Consórcio Regional, Miguel Vaz, prefeito de Lucas do Rio Verde, apresentou a equipe responsável pela transição da gestão, conduzida entre a SES e o Consórcio. Ele explicou que o contrato foi assinado há pouco mais de uma semana e que a nova administração ainda está levantando informações sobre estrutura, contratos, fluxos internos e deficiências da unidade.
O diretor-geral do Hospital Regional, Fábio Lago, recém-nomeado, admitiu problemas no fluxo de pacientes e citou o caso de uma pessoa que permaneceu internada por mais de 100 dias. Segundo ele, a intenção da nova direção é reorganizar os processos internos e melhorar a circulação dos pacientes para reduzir entraves que afetam a disponibilidade de leitos.
A equipe técnica informou ainda que os 18 leitos de ortopedia disponíveis estão ocupados. A ortopedia é apontada como uma das maiores demandas de Sinop. A direção não informou quantos leitos da especialidade permanecem fechados.
Também foi relatado sucateamento de parte da estrutura, com falta de camas, colchões e equipamentos. A ausência de computadores em alguns setores foi suprida, de forma provisória, por remanejamento interno. Segundo o Consórcio, uma contratação emergencial será feita para resolver parte dos problemas estruturais.
Na área de pessoal, a nova gestão informou que há leitos vagos por falta de profissionais de enfermagem. O déficit é de 45 trabalhadores. Um processo de seleção foi aberto, com expectativa de contratação até o fim de julho.
Ao final da agenda, o Consórcio pediu prazo de 60 dias para concluir o levantamento das deficiências, organizar os fluxos internos e apresentar novas informações aos parlamentares. Os deputados da Comissão Permanente de Saúde se comprometeram a retornar a Sinop para acompanhar a evolução das medidas.
O deputado Lúdio Cabral afirmou que a Comissão Permanente de Saúde levará os encaminhamentos para Cuiabá e buscará uma agenda com o governador Otaviano Pivetta. Segundo ele, a prioridade será discutir o financiamento do hospital e criar um canal permanente de diálogo entre a direção da unidade, os municípios, as secretarias de Saúde e os vereadores.
“A Comissão Permanente de Saúde da Assembleia sai desta reunião com um compromisso. Amanhã mesmo, em plenário, a Comissão buscará uma agenda com o governador Otaviano Pivetta”, afirmou Lúdio.
O deputado disse que dois pontos serão tratados com o governo estadual. “O primeiro é a garantia de financiamento para o hospital, visando que ele volte a operar com 100% de sua capacidade. O segundo ponto é a criação de um ambiente de diálogo e abertura, permitindo que as Secretarias de Saúde e os vereadores tenham acesso à direção do hospital e à regulação”, disse.
Participaram da agenda os deputados Lúdio Cabral, Dr. João e Sebastião Rezende, integrantes da Comissão Permanente de Saúde da ALMT, além do deputado Silvano Amaral.
Pela Câmara de Sinop, estiveram presentes os vereadores Moisés do Jardim do Ouro, Ademir Debortoli, Celsinho do Sopão, Célio Garcia, Dilmair Callegaro, Dr. Marcos Vinícius, Elbio Volkweis, Enio da Brígida, Juventino Silva, Sandra Donato, Toninho Bernardes e Zezinho Construtor.
Também acompanharam a reunião vereadores de União do Sul, secretárias municipais de Saúde de Cláudia, União do Sul e Vera, o vice-prefeito Paulinho Abreu e o secretário municipal de Saúde de Sinop, Erico Stevan.
Fonte: Assessoria Câmara Municipal
Autor: Marco Stamm