• Domingo, 28 de Junho de 2026
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28 de Junho de 2026

Projeto de Rosana Martinelli sobre porte de arma para mulheres com medida protetiva avança no Senado

Projeto de Rosana Martinelli sobre porte de arma para mulheres com medida protetiva avança no Senado

Proposta apresentada pela ex-prefeita de Sinop durante passagem pelo Senado foi aprovada na Comissão de Direitos Humanos e continua em tramitação

Um projeto apresentado por Rosana Martinelli  durante o período em que exerceu o mandato de senadora avançou no Congresso e passou a integrar o debate nacional sobre a proteção de mulheres vítimas de violência doméstica.

O Projeto de Lei 3.272/2024 permite que mulheres amparadas por medida protetiva de urgência solicitem autorização temporária para portar arma de fogo. A proposta foi aprovada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado e agora aguarda análise da Comissão de Segurança Pública.

Ex-prefeita de Sinop e segunda suplente do senador Wellington Fagundes (PL), Rosana tomou posse no Senado em 12 de junho de 2024, durante a licença do titular para tratamento de saúde. Ela exerceu o mandato por cerca de quatro meses e apresentou propostas nas áreas de segurança pública, proteção às mulheres, saúde, transporte profissional e legislação eleitoral.

Entre as iniciativas protocoladas está a alteração do Estatuto do Desarmamento para permitir que mulheres sob medida protetiva possam solicitar o porte enquanto permanecer a situação de risco.

Pelo texto aprovado na Comissão de Direitos Humanos, a autorização poderá ser concedida a mulheres a partir dos 18 anos. Nos demais casos previstos pela legislação, permanece a idade mínima de 25 anos.

O porte, no entanto, não será concedido automaticamente pela existência da medida protetiva. A interessada ainda deverá cumprir os requisitos estabelecidos pelo Estatuto do Desarmamento, incluindo a comprovação de capacidade técnica e aptidão psicológica para o manuseio da arma.

A proposta recebeu parecer favorável do senador Magno Malta (PL-ES), que apresentou um texto substitutivo. A possibilidade de concessão a partir dos 18 anos nos casos de medida protetiva foi incluída após uma sugestão do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), acolhida pelo relator.

Ao defender o projeto durante sua passagem pelo Senado, Rosana afirmou que as medidas protetivas são necessárias, mas nem sempre conseguem impedir que o agressor volte a se aproximar da vítima ou cometa uma nova violência.

O parecer aprovado pela comissão segue o entendimento de que a autorização temporária poderia representar uma proteção adicional às mulheres que continuam ameaçadas mesmo depois de recorrerem à Justiça.

A proposta também provoca discussão por envolver duas áreas sensíveis: o enfrentamento à violência doméstica e a ampliação do acesso ao porte de armas. Defensores sustentam que a medida ofereceria uma alternativa de defesa às vítimas. Críticos alertam para os riscos relacionados à presença de armas em ambientes marcados por conflitos familiares.

Em seu relatório, Magno Malta afirmou que a rede de proteção existente ainda não é suficiente para impedir novas investidas dos agressores. O senador citou dados sobre medidas protetivas, registros de violência doméstica e feminicídios no país para justificar o parecer favorável.

A aprovação na Comissão de Direitos Humanos não significa que a proposta já esteja em vigor. O projeto continua na Comissão de Segurança Pública, onde está sob a relatoria do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Como a análise na Comissão de Segurança Pública terá caráter terminativo, o texto poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados caso seja aprovado e não haja recurso para votação no plenário do Senado.

O projeto voltado às mulheres sob medida protetiva foi uma das iniciativas apresentadas por Rosana durante o mandato temporário. A ex-prefeita de Sinop também protocolou uma proposta para garantir gratuidade de Justiça às vítimas de violência doméstica desde o pedido da medida protetiva até o período posterior ao encerramento da proteção judicial.

Outra proposta de sua autoria prevê a criação do Programa Vigia Mais em âmbito nacional, com a integração de sistemas de videomonitoramento utilizados na prevenção e investigação de crimes.

Rosana também apresentou um projeto para implantar mecanismos de comunicação emergencial em veículos utilizados por motoristas profissionais, trabalhadores de aplicativos e transportadores de cargas. A proposta prevê uma forma de acionamento das forças de segurança em situações de risco.

Na área da saúde, a então senadora propôs uma mudança na legislação para permitir o fornecimento de medicamentos pelo poder público a pacientes acompanhados por serviços privados, desde que atendidos os critérios definidos pelo Sistema Único de Saúde.

Na área eleitoral, apresentou projetos relacionados aos recursos utilizados em processos eleitorais e à impressão do registro do voto para conferência e auditoria. Rosana também protocolou uma proposta de anistia relacionada aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

Sua atuação no Senado incluiu ainda requerimentos, pronunciamentos e debates sobre infraestrutura, transporte ferroviário, agronegócio, setor florestal, segurança pública e melhorias na BR-163.

Mesmo após o encerramento do mandato temporário, os projetos apresentados por Rosana permaneceram em tramitação. Parte das propostas ainda aguarda análise, enquanto outras avançaram pelas comissões do Senado.

A tramitação do projeto voltado às mulheres sob medida protetiva mantém em evidência uma das principais propostas apresentadas pela ex-prefeita de Sinop durante o período em que representou Mato Grosso no Senado.

Fonte: deixaqueeuteconto

Autor: Daniel Trindade