O deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União) atribuiu a não reeleição de diversos parlamentares estaduais às articulações políticas que resultaram na destituição do diretório do Partido Renovação Democrática (PRD) em Mato Grosso. Segundo ele, a movimentação na reta final da janela partidária desestruturou o planejamento de candidatos que buscavam espaço na legenda.
"Eu acho que o grande erro da condição do Estado foi a questão do PRD. Que para mim foi um desastre o que fizeram com as pessoas que poderiam estar eleitas hoje como deputado estadual", declarou Dal Bosco. O parlamentar detalhou que o PRD vinha se desenhando como uma alternativa competitiva para abrigar deputados que buscavam reeleição com chapas proporcionais mais equilibradas.
Contudo, uma interferência vinda de Brasília alterou o comando local do partido a pedido de lideranças adversárias para fortalecer seus respectivos projetos eleitorais. De acordo com o deputado, a dissolução da comissão provisória estadual ocorreu mediante articulação direta do senador Wellington Fagundes (PL) e da deputada estadual Janaína Riva (MDB), que assumiram o controle da sigla para garantir o alinhamento da legenda ao seu palanque político.
A mudança repentina no comando da sigla, ocorrida às vésperas do fechamento da janela partidária, acabou por dispersar pré-candidatos e inviabilizar a construção de uma chapa forte para a Assembleia Legislativa, resultando no insucesso das candidaturas que dependiam daquela estrutura partidária.
O cenário do PRD em Mato Grosso
Conforme divulgado pelo
, a destituição da diretoria do PRD gerou forte turbulência nos bastidores da política mato-grossense no encerramento da janela partidária. O PRD (resultado da fusão entre o PTB e o Patriota) era visto como um destino estratégico para deputados e pré-candidatos estaduais que buscavam fugir das chamadas "chapas da morte", ou seja, legendas com excesso de parlamentares com mandato disputando poucas vagas. Diversos deputados estavam com filiações alinhadas junto à direção anterior da sigla.
Entretanto, uma "canetada" vinda do diretório nacional destituiu o grupo que comandava o partido no estado. A manobra foi articulada para retirar o PRD da órbita do grupo governista local e transferir o controle da legenda para o arco de aliança da deputada Janaína Riva (MDB) e do senador Wellington Fagundes (PL).
Com o troca-troca partidário a poucos dias do prazo limite, os pré-candidatos que planejavam se abrigar no PRD ficaram sem margem de manobra, provocando o isolamento de nomes conhecidos e inviabilizando a projeção de eleição de vários parlamentares de mandato.
Fonte: gazetadigital
Autor: Fred Moraes e Pablo Rodrigo Foto Fred Moraes