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04 de Outubro de 2026

Após 12 anos na ALMT, Janaina tenta romper limite dos Riva e levar sobrenome ao Senado

Após 12 anos na ALMT, Janaina tenta romper limite dos Riva e levar sobrenome ao Senado

Depois de 12 anos na Assembleia Legislativa e duas eleições consecutivas como a deputada estadual mais votada de Mato Grosso, Janaina Riva (MDB) chega às urnas neste domingo (4) tentando abrir um novo capítulo na trajetória política da família: conquistar uma cadeira no Senado.

A eventual vitória não representaria o primeiro cargo majoritário dos Riva. Antes de construir sua longa trajetória na Assembleia Legislativa, José Riva iniciou a carreira política ainda jovem em Juara e chegou à prefeitura do município aos 22 anos. O salto pretendido agora pela filha é de outra dimensão: sair do Legislativo estadual para ocupar um dos três postos de Mato Grosso no Senado Federal.

 

Janaina também poderá alcançar um marco próprio. Caso eleita, será a primeira mulher nascida em Mato Grosso a representar o Estado no Senado, além de repetir um caminho percorrido por Serys Slhessarenko (PT), que também deixou a Assembleia Legislativa para conquistar uma cadeira de senadora, em 2002.

A mudança de patamar não significa, porém, que a família esteja deixando a disputa pela Assembleia. Enquanto Janaina tenta chegar ao Senado, sua irmã mais nova, Jéssica Riva (MDB), concorre a deputada estadual. A família, portanto, aposta simultaneamente na expansão de sua presença para Brasília e na manutenção do sobrenome na Casa em que José Riva exerceu sua maior influência política e onde Janaina construiu os últimos 12 anos de sua carreira.

Do interior ao comando da Assembleia

A trajetória política de José Riva começou muito antes de ele se tornar um dos nomes mais poderosos da Assembleia Legislativa. Aos 22 anos, chegou à Prefeitura de Juara, iniciando uma carreira que posteriormente seria concentrada no Parlamento estadual.

Foi na Assembleia, porém, que Riva construiu a maior parte de sua projeção. Eleito deputado estadual sucessivas vezes, comandou a Casa em diferentes biênios e exerceu forte influência sobre a política mato-grossense durante mais de duas décadas.

Em 2014, tentou ampliar novamente essa atuação para um cargo majoritário, desta vez o Governo de Mato Grosso. Encrencado com a Justiça por conta das ações oriundas da Arca de Noé, o político acabou tendo seu registro de candidatura impugnado e lançando a própria esposa, Janete Riva, para o governo. Em episódio do PodOlhar publicado em julho de 2024, afirmou que a decisão levou em consideração o fato de ter se tornado refém dos próprios colegas deputados, que se socorriam a ele para resolver todos os problemas, mesmo que envolvessem esquemas com dinheiro público.

Janete terminou em terceiro lugar, com 144.440 votos, equivalentes a 9,92% dos válidos. Lúdio Cabral (PT) recebeu 472.507 votos, ou 32,45%, enquanto Pedro Taques, então no PDT, foi eleito governador no primeiro turno com 833.788 votos, 57,25%.

Aquele mesmo ano marcou uma passagem de bastão dentro da família. Enquanto José e Janete não conseguiram chegar ao Palácio Paiaguás, Janaina, então com 25 anos, estreou nas urnas e conquistou uma cadeira de deputada estadual.

Uma Riva sai, outra tenta entrar

Doze anos depois, a família chega a 2026 com uma estratégia diferente. Janaina deixa uma posição consolidada na Assembleia para disputar uma das duas cadeiras de Mato Grosso no Senado. Ao mesmo tempo, Jéssica Riva foi lançada pelo MDB como candidata a deputada estadual em sua primeira eleição.

A movimentação permite que o sobrenome tente avançar para o Congresso sem abandonar a disputa pelo espaço que historicamente ocupou no Legislativo estadual. Se Janaina busca fazer a transição da ALMT para Brasília, Jéssica tenta assumir justamente o terreno eleitoral deixado pela irmã.

O movimento também evidencia uma nova geração política da família. José Riva está afastado das urnas desde 2014; Janaina construiu três mandatos próprios desde então; e Jéssica faz agora sua estreia eleitoral.

“Politicamente emancipada”

Em entrevista ao PodOlhar, Janaina afirmou considerar encerrada a fase em que sua trajetória poderia ser explicada apenas pela influência do pai. Disse estar “politicamente emancipada” e acusou adversários de utilizarem o sobrenome Riva de maneira conveniente: como problema quando disputam espaço com ela e sem a mesma resistência quando buscam seu apoio.

“Quando é para eu ser apoiada, eu tenho um milhão de defeitos. Mas quando é para eu apoiar, eu sou maravilhosa. Eu sou a melhor deputada do Estado de Mato Grosso. Então, na minha opinião, existe um pouco de demagogia, hipocrisia dentro disso tudo”, afirmou.

Janaina não nega a relação política e familiar com o ex-deputado, mas sustenta que os 12 anos de mandato permitiram a construção de uma base própria. Segundo ela, essa separação começou ainda na primeira legislatura. Acostumada ao modelo político do pai, historicamente integrante da base dos governos, Janaina tomou caminho diferente ao se tornar uma das principais vozes de oposição ao então governador Pedro Taques.

 

“Logo que cheguei à Assembleia Legislativa, eu só conhecia um trabalho, que era o trabalho de base parlamentar que eu tinha visto e acompanhado do meu pai ao longo dos anos. Base alinhada com governo. E eu me tornei uma deputada de oposição, me tornei a líder da oposição”, afirmou.

Para a emedebista, foi nesse momento que começou a construir identidade política própria. “Ali, na minha opinião, eu já comecei essa emancipação política, que foi ter a minha própria identidade, as minhas próprias pautas, os meus aliados”, disse.

Recordes nas urnas

A principal credencial apresentada por Janaina para sustentar essa independência está nos resultados eleitorais obtidos depois da primeira vitória. Em 2018, recebeu 51.546 votos e terminou como a candidata a deputada estadual mais votada de Mato Grosso. Quatro anos depois, ampliou a votação para 82.124 e novamente ficou em primeiro lugar na disputa pelas 24 cadeiras da Assembleia.

Janaina afirma que a eleição de 2018 teve peso especial nesse processo. Naquele momento, segundo ela, não possuía uma grande estrutura eleitoral, enfrentava dificuldades financeiras e fazia oposição a um governo que concentrava boa parte dos prefeitos e vereadores do Estado.

“A hora que eu apareci em primeiro lugar eu toquei uma campanha, uma campanha pé no chão mesmo, lá na ponta, não tinha estrutura nem para viajar direito. E comecei em primeiro e terminei em primeiro, então já era uma consolidação do trabalho”, relatou no PodOlhar.

“Eu me encontrei dentro da vida pública e, na minha opinião, eu tenho uma certa vocação para isso. Eu gosto do que eu faço”, afirmou.

“Sou eu por mim”

Ao longo dos três mandatos, Janaina também passou a colocar a condição de mulher em um ambiente predominantemente masculino como parte de sua identidade política. “Como única mulher deputada na Assembleia por 12 anos, eu aprendi que sou eu por mim”, declarou.

Em agosto de 2025, Janaina assumiu ainda o comando estadual do MDB após uma disputa interna pelo controle da legenda. A chegada à direção partidária ampliou seu espaço político justamente na preparação para o primeiro voo eleitoral fora da Assembleia.

Ao falar sobre o pai, Janaina procura estabelecer uma fronteira entre a relação familiar e a própria carreira. “Amo meu pai, amo meu marido, amo minha família. Outra coisa é minha vida profissional”, afirmou.

Para ela, depois de três eleições e duas votações consecutivas como a mais votada para a Assembleia, a cobrança permanente sobre o legado de José Riva perdeu sentido. “Para mim, esse assunto exauriu. Eu passei 12 anos respondendo a mesma coisa. Hoje eu sou politicamente emancipada. Hoje eu tenho total controle da minha carreira política”, disse.

Nos passos de Serys

Se a história familiar oferece a Janaina um precedente que ela tenta superar, a própria Assembleia apresenta outro caminho já percorrido por uma mulher na política estadual.

Em 2002, Serys Slhessarenko (PT) ocupava uma cadeira de deputada estadual quando decidiu concorrer ao Senado. Ela conquistou a segunda das duas vagas disponíveis para Mato Grosso, com 575.539 votos, equivalentes a 25,95% dos válidos.

Jonas Pinheiro (PFL) liderou aquela eleição com 612.965 votos, ou 27,64%. Serys superou o ex-governador Dante de Oliveira (PSDB), que ficou em terceiro com 439.798 votos.

A vitória transformou Serys na primeira mulher eleita senadora por Mato Grosso. Vinte e quatro anos depois, Janaina tenta fazer a mesma travessia da Assembleia para o Senado, enquanto a irmã busca ocupar o espaço que ela deixará no Legislativo estadual.

Fonte: olhardireto

Autor: Airton Marques