Dois dos três ocupantes que morreram carbonizados na queda de um avião na última quinta-feira (10), em Água Boa, seriam paraguaios. A suspeita foi levantada pela Polícia Civil, que repassou os nomes para a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) confirmar a identidade das vítimas.
Conforme já noticiado pelo MidiaNews, o terceiro ocupante do Cessna de prefixo N401NA era um brasileiro que adquiriu a aeronave cerca de 4 meses antes do acidente, mas não a regularizou, não possuindo registro junto às autoridades brasileiras de aviação.
Diante da irregularidade, o Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SIPAER) tomou a decisão de não levar a investigação das causas do acidente adiante.
Segundo o gerente da Politec de Água Boa, Paulo Barbosa, a equipe acionou possíveis parentes das vítimas no Paraguai após obter as identificações.
“A Polícia Judiciária Civil conseguiu apresentar os possíveis nomes dos integrantes dessa aeronave. É, trata-se de um brasileiro e dois paraguaios. E também indicou o contato desses familiares. Nós já começamos a conversar com eles”, disse.
Para agilizar o processo de identificação oficial, os corpos foram transferidos para a capital, onde será feita a coleta de material genético para confronto de DNA.
“Por achar que seria mais fácil, nós encaminhamos esses corpos para nossa diretoria metropolitana em Cuiabá. Então já está sendo feito um alinhamento para coleta desse material de referência, para que possa ser feito o confronto para identificar essas vítimas”, afirmou o gerente da Politec.
A mesma aeronave já havia sido apreendida pela Polícia Federal com 67 quilos de cocaína em Goiânia (GO), em 2017. À época, dois irmãos espanhóis foram presos em flagrante.
O prefixo aparece em documentos de um processo que tramitou na 5ª Vara Federal de Goiânia contra os irmãos gêmeos espanhóis José Luís e Juan Carlos Rivera Diaz, presos após serem encontrados ao menos 67 quilos de cocaína armazenados dentro da aeronave.
De acordo com o delegado Carlos Alberto Silva, da Delegacia de Água Boa, apesar do histórico, até o momento não foram encontrados indícios de que a aeronave estivesse transportando drogas ou qualquer outro tipo de carga ilícita.
O que se sabe até o momento é que o bimotor permanecia em um hangar no aeródromo de Goiânia e estaria sem condições de voo. Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), o Cessna estava há 5 anos com as cadernetas desatualizadas e sem inspeção.
Em nota, a FAB explicou que o Cenipa decidiu não apurar as causas da queda devido à irregularidade da aeronave e ao escopo de atuação do órgão.
“Adicionalmente, conforme o art. 3º, inciso VII, alíneas "a" e "b", do Decreto nº 9.540/2018 (Decreto SIPAER), o CENIPA poderá decidir pela não instauração ou pela interrupção de investigações, nos casos em que se constate a ocorrência de ato ilícito doloso ou quando a investigação não contribua para a prevenção de novos incidentes ou acidentes aeronáuticos. Dessa forma, após avaliação técnica dos investigadores do CENIPA, o evento envolvendo uma aeronave, ocorrido no dia 10 de setembro de 2026, em Água Boa (MT), não será investigado no âmbito do SIPAER”, diz trecho da nota.
As investigações policiais que visam esclarecer as circunstâncias da queda continuam sendo conduzidas pela Polícia Civil.
Fonte: midianews
Autor: CHRISTINNY CAVALCANTE DA REDAÇÃO