• Sexta-Feira, 30 de Outubro de 2026
  • 11:51h
30 de Outubro de 2026

PF apreende R$ 5 milhões 31 veículos em ação contra servidores do TCE

PF apreende R$ 5 milhões 31 veículos em ação contra servidores do TCE

A Polícia Federal anunciou que, na Operação Tomada de Contas, houve a apreensão impressionante de R$ 5.077.387,34 em espécie, armazenados em diferentes moedas. O total em dinheiro vivo reúne R$ 4.360.607,00 em reais, acrescidos de US$ 106.865,00 em dólares, € 19.870,00 em euros, £ 2.000,00 em libras esterlinas e $ 3.650,00 em pesos argentinos. A corporação informou que as diligências continuam e que equipes ainda seguem contabilizando recursos em contas na Caixa Econômica Federal nesta sexta-feira (30).

 

Deflagrada por ordem do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a ação mobilizou mais de 180 policiais federais para cumprir mandados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A ofensiva culminou na prisão preventiva de seis pessoas, incluindo o presidente afastado do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, apontado como o chefe de uma complexa estrutura de desvios. Além das prisões, a Justiça determinou o afastamento de três conselheiros da ativa, Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Carvalho de Alencar, além de atingir o conselheiro aposentado Valter Albano.

 

Além do montante milionário em espécie, o balanço da PF detalha um vasto acervo de bens apreendidos: 27 telefones celulares, 31 veículos, 16 armas de fogo, impressionantes 6.512 munições, 167 relógios de luxo e 112 garrafas de vinho. Durante as buscas, as autoridades também registraram uma prisão em flagrante por posse irregular de armas e um termo circunstanciado de ocorrência (TCO) relacionado a drogas.

 

As investigações apontam que a rede criminosa operava por meio de uma "folha paralela", utilizando ordens bancárias avulsas e canais originalmente destinados ao pagamento de fornecedores para burlar os controles oficiais. Entre janeiro e outubro de 2025, o tribunal registrou uma movimentação atípica de R$ 75,85 milhões. Enquanto o Portal da Transparência indicava remunerações oficiais modestas para os investigados, extratos bancários demonstraram créditos milionários, como no caso de Sérgio Ricardo, que acumulou mais de R$ 15 milhões em créditos e realizou cerca de 150 saques em dinheiro vivo nas dependências da instituição.

 

A engrenagem contava com operadores financeiros, articuladores e transportadores encarregados de converter os recursos públicos em espécie e ocultar o patrimônio. Os fatos investigados podem configurar crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa, cujas penas somadas podem ultrapassar 12 anos de prisão. Com o cerco fechado pelo STJ e pela PF, as apurações prosseguem para esgotar o alcance do esquema na corte de contas mato-grossense.

Fonte: gazetadigital