Os saques em dinheiro vivo de contas do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, foram interrompidos após uma diligência da Polícia Federal na agência do Sicoob instalada no órgão ter o sigilo comprometido, em 14 de outubro de 2025.
Para os investigadores, a mudança na rotina pode indicar um “recuo estratégico”.
Sérgio Ricardo foi preso preventivamente na última quinta-feira (29), durante a Operação Tomada de Contas, que apura suspeitas de irregularidades no tribunal.
Na diligência, policiais observaram uma operação de saque envolvendo Roseli Loss, então chefe de gabinete do conselheiro, e Adriangelo Barros Antunes. Ambos também foram presos na última semana após serem alvos da operação.
Segundo a representação, Roseli fez a operação no caixa e Adriangelo recolheu o dinheiro. Ao tentar acompanhar o servidor pelos corredores do complexo, um dos agentes foi interpelado pela segurança interna do TCE. O episódio comprometeu o sigilo da equipe e levou ao encerramento da ação.
A análise de imagens de câmeras de segurança identificou a participação dos dois em diferentes retiradas: Roseli aparecia no caixa e Adriangelo recolhia o numerário.
A PF considera 14 de outubro um “marco divisor”. Segundo a representação, depois daquela data cessaram abruptamente as comunicações de provisionamentos e saques em espécie vinculadas a Sérgio Ricardo, ao menos nos registros analisados.
Os investigadores associam a mudança ao comprometimento da diligência, mas não afirmam ter comprovado que os envolvidos souberam que estavam sob vigilância.
Entre janeiro e 22 de outubro de 2025, as duas contas do conselheiro no Sicoob registraram R$ 15,6 milhões em saques. Uma comunicação de operações suspeitas referente ao período de janeiro a setembro contabilizou 144 retiradas, que somaram R$ 14,1 milhões.
A movimentação teve novos registros em 2026. Dois provisionamentos de R$ 400 mil, previstos para fevereiro, não tiveram saques correspondentes comunicados.
Em maio, houve registro de uma retirada de R$ 100 mil, no dia 11. Para 14 de maio, também foi provisionado o mesmo valor, mas não há confirmação do saque. Imagens das duas datas mostram Roseli novamente na agência, realizando operações no caixa.
A representação da PF reúne as movimentações e as imagens no conjunto de indícios investigados. As suspeitas ainda estão sob apuração.
Fonte: midianews
Autor: VITÓRIA GOMES DA REDAÇÃO