A delegada Judá Marcondes, titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá, afirmou que potenciais feminicidas costumam apresentar comportamentos de controle e ciúmes excessivos muitas vezes vistos de forma equivocada como amor ou proteção. Essas condutas fazem parte da violência psicológica, que tem sido o principal crime registrado na delegacia da Capital.

O potencial feminicida é aquele que é controlador e ciumento, e nós naturalizamos o controle como proteção e o ciúmes excessivo como amor
"Muitas mulheres adoeceram devido ao
relacionamento abusivo e, somente em 2021, conseguimos ter esse crime capitulado no Código Penal. O controle e os ciúmes são condutas que geram feminicídios. O potencial feminicida é aquele que é controlador e ciumento, e nós naturalizamos o controle como proteção e o ciúmes excessivo como amor", disse Judá em entrevista ao MidiaNews.
Ainda de acordo com ela, a violência psicológica faz com que os homens abusadores consigam anular a mulher e fazer com que ela aceite tudo que ocorre na relação abusiva. Entre as violências ocorridas nas relações abusivas, a delegada citou o controle, manipulação, racismo, diminuição da autoestima, exposição da intimidade e até estupros maritais.
"Eu já atendi caso de mulher que sofreu uma tentativa de feminicídio, e quando nós prendemos [o acusado], essa mulher falou que a culpa era dela, que não era para a gente prender, que ela era responsável pela sua tentativa de feminicídio".
As condutas de controle e ciúmes excessivos aparecem no Formulário Nacional de Avaliação de Risco, que avalia as chances de a mulher ser vítima de um feminícidio, e é aplicado às mulheres que solicitam medidas protetivas. Conforme Judá, esse documento é analisado minuciosamente por ela e sua equipe, uma vez que pode prevenir que uma mulher seja morta pelo companheiro.
A delegada ainda falou sobre a importância da rede de enfrentamento aplicada em Cuiabá, que é considerada um modelo para todo o estado, e da necessidade de políticas públicas que atendam não só as vítimas e os agressores, mas também foque na mudança cultural e atinja as crianças e adolescentes para que a próxima geração quebre esse ciclo de violência.
Fonte: midianews
Autor: ANGÉLICA CALLEJAS DA REDAÇÃO