• Sábado, 30 de Maio de 2026
  • 10:23h
30 de Maio de 2026

Justiça cobra explicações do Estado sobre presídios fechados

Justiça cobra explicações do Estado sobre presídios fechados

Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso (Sejus) tem cinco dias para relatar ao Poder Judiciário o motivo de fechar ou desativar unidades prisionais no Estado nos últimos 10 anos. A Sejus terá que trazer dados das vagas suprimidas em decorrência dessas desativações e as medidas para suprir. O objetivo é avaliar se a superlotação atualmente verificada decorre, em alguma medida, da redução deliberada ou negligente da oferta de vagas pelo próprio Poder Executivo estadual.

 

A situação agrava ainda mais porque, conforme dados do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), 22 das 41 unidades prisionais estão interditadas judicialmente por conta da superlotação. Outro levantamento indica que, de 2019 a 2023, 16 unidades foram desativadas. Juntas, elas somavam quase duas mil vagas.

Outro fator é que, diferente da oferta de vagas, a população carcerária cresce em ritmo acelerado. São 16.619 pessoas privadas de liberdade para 13.870 vagas em Mato Grosso, o que representa uma taxa de ocupação de 123% e um deficit de 2.749 vagas, conforme dados atualizados em maio de 2026.

 

O Estado, que em 2024 chegou a ter mais vagas do que presos - 12.856 presos para 12.988 vagas -, voltou a enfrentar a superlotação no sistema prisional.

 

Na decisão que requisita informações, o desembargador Orlando Perri determina que o Estado forneça a relação nominal de todas as unidades prisionais desativadas, fechadas, interditadas definitivamente ou cuja operação tenha sido encerrada, total ou parcialmente, no período compreendido entre 1º de janeiro de 2015 até a data da decisão. A secretaria deve trazer o número de vagas oficiais suprimidas em cada unidade desativada, conforme a capacidade instalada declarada à época do fechamento. E ainda, informação sobre a existência ou não de plano de reativação ou substituição das vagas suprimidas, com indicação de cronograma, dotação orçamentária e estágio atual de execução, quando houver.

 

"Tais dados são relevantes para a compreensão da trajetória histórica da capacidade carcerária estadual e identificação de eventuais déficits estruturais introduzidos por políticas administrativas de desativação de vagas, e para a formulação de ordens estruturais proporcionais e exequíveis", enfatizou o desembargador.

 

Outro lado

A Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT) informa que, até o presente momento, não foi intimada sobre a decisão.

Fonte: gazetadigital

Autor: Aline Almeida Foto Chico Ferreira